Por que o filme de Michael Jackson omite acusações de abuso sexual?

A trama de Michael Jackson em torno das alegações feitas por Jordan Chandler, de 13 anos, foi descartada após um acordo milionário
Filme de Michael Jackson foi impedido de trazer acusalções de abuso sexual
Filme de Michael Jackson foi impedido de trazer acusalções de abuso sexual. Foto: Universal Pictures/Divulgação

A cinebiografia de Michael Jackson enfrentou um grande obstáculo ainda durante a produção. Em 2024, o filme precisou passar por extensas refilmagens, após a equipe perceber um risco jurídico significativo envolvendo acusações de abuso sexual.

Os tramites legais e acusações sexuais

Inicialmente, o diretor Antoine Fuqua havia incluído no roteiro o caso de Jordan Chandler, que acusou o cantor por abuso sexual em 1993. Após o processo, Jackson firmou um acordo com a família Chandler em 1994 por cerca de 20 milhões de dólares. Apesar de Michael negar repetidamente as alegações de Chandler e, futuramente, as demais acusações, a equipe do cantor preferiu optar por um acordo para abafar o caso. Neste acordo, porém, existe uma cláusula que impede qualquer dramatização desses acontecimentos, o que obrigou a produção a reformular completamente a narrativa.

Em entrevista recente ao The New York Times, Larry Feldman, advogado de Chandler que negociou o acordo, afirmou que o acordo estipulava que “nenhuma das partes poderia divulgar ou comunicar o ocorrido, exceto no que diz respeito ao direito da família Chandler de falar com a polícia e depor sob juramento”.

Roteiro original da produção de Michael

O roteiro original colocava o caso como elemento central da história e retratava Michael Jackson como vítima de um esquema de extorsão orquestrado pelo pai de Chandler. Porém, o advogado afirma que o contrato prevê impedir justamente situações como essa.

A produção já possuia diversas cenas gravadas, como a investigação no rancho Neverland. Com a descoberta da cláusula legal, essas sequências tiveram que ser descartadas, impactando diretamente o desenvolvimento do filme. Diante desse cenário, o longa foi adiado e reestruturado. Como resultado, a versão final evita abordar acusações sexuais e encerra a história em 1988, antes das primeiras denúncias.

Um novo viés para o filme de Michael Jackson

Segundo o ator Colman Domingo, que interpreta Joe Jackson, o patriarca controlador e empresário da família, o foco então foi para a formação do artista. Ou seja, a proposta é apresentar um retrato mais íntimo e artístico, deixando de lado as controvérsias.

Por fim, apesar das críticas iniciais negativas, a expectativa de bilheteria segue alta. O filme estreia nesta quinta-feira (23) no Brasil, e aposta na força do legado musical de Michael Jackson para atrair o público.

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