100 anos de Marilyn Monroe: por que o maior ícone pop da história ainda tem tanto a ensinar?

Mesmo quem nunca assistiu a um filme dela sabe exatamente quem é Marilyn Monroe.
Fotografia de Marilyn Monroe feita por Richard Avedon.
Fotografia de Marilyn Monroe feita por Richard Avedon.

Se alguém pedir para você pensar em uma estrela de Hollywood, existe uma grande chance de a primeira imagem que venha à cabeça seja a de uma mulher de vestido branco esvoaçante, cabelos loiros platinados e um sorriso inesquecível.

Neste ano, Marilyn completaria 100 anos. Mais de seis décadas após sua morte, ela continua estampando camisetas, murais, campanhas de moda, memes, obras de arte, videoclipes e referências em séries, filmes e nas redes sociais. Pouquíssimos artistas conseguiram atravessar tantas gerações permanecendo tão presentes no imaginário coletivo.

Mas reduzir Marilyn apenas à imagem da “loira mais famosa do mundo” talvez seja a maior injustiça da história do entretenimento. Por trás do sorriso existia uma mulher extremamente inteligente, ambiciosa, vulnerável e muito à frente do seu tempo.

E talvez seja justamente por isso que ela nunca deixou de ser relevante.

Marilyn criou muito mais do que uma personagem: ela criou um fenômeno cultural

Nascida como Norma Jeane Mortenson, em 1926, Marilyn teve uma infância marcada por abandono, lares adotivos e muita instabilidade emocional.

Quando chegou a Hollywood, ouviu inúmeras vezes que não tinha perfil para ser uma grande atriz. Também foi colocada em papéis repetitivos, quase sempre interpretando a famosa “loira ingênua”.

Mas ela nunca aceitou que aquela fosse sua única identidade.

Em 1955, tomou uma decisão considerada revolucionária para uma mulher naquela época: fundou sua própria produtora, a Marilyn Monroe Productions, buscando maior controle sobre sua carreira e recusando ser apenas um produto dos estúdios. Também estudou atuação no Actors Studio com Lee Strasberg para provar que queria ser reconhecida pelo talento e não apenas pela aparência.

Hoje, atitudes como essas parecem comuns. Mas na década de 1950, eram praticamente impensáveis.

Ela mostrou que sucesso não significa equilíbrio emocional

Talvez um dos maiores aprendizados deixados por Marilyn seja justamente aquele que ninguém queria enxergar enquanto ela estava viva. Ela era uma das mulheres mais famosas do planeta, milhões de fãs, filmes de sucessos, dinheiro e reconhecimento. Mesmo assim, enfrentava ansiedade, inseguranças, traumas da infância, crises emocionais e uma enorme sensação de solidão.

Naquela época, praticamente não existia espaço para falar sobre saúde mental, pedir ajuda era visto como fraqueza, algo que as antigas estrelas não deveriam passar a imagem de deprimentes.

Hoje, olhando para sua trajetória, muitos especialistas consideram sua história um dos exemplos mais emblemáticos de que estabilidade profissional e saúde mental são coisas completamente diferentes. Uma carreira brilhante não elimina dores emocionais, traumas ou sofrimento psicológico.

Em uma geração que fala cada vez mais sobre ansiedade, burnout e autocuidado, a história de Marilyn ganha um novo significado.

Ela nos lembra que cuidar da mente não é luxo. É necessidade!

Muito antes do debate sobre empoderamento feminino

Embora muitas pessoas associem Marilyn apenas ao glamour, ela também enfrentou um sistema que tratava mulheres como objetos descartáveis. Ela questionava contratos injustos, brigava por melhores salários, quis escolher os seus próprios papéis, lutava para ser levada a sério. Em uma indústria dominada por homens, recusou aceitar que sua carreira fosse decidida apenas pela aparência.

Por isso, muitas mulheres ainda encontram inspiração nela, não porque Marilyn fosse perfeita. Mas porque ela insistiu em ocupar espaços onde diziam que ela deveria apenas sorrir.

Ela mostrou que feminilidade e inteligência nunca foram opostos, mesmo quando Hollywood insistia em vender exatamente essa imagem.

Por que Marilyn continua sendo um ícone pop?

Seu rosto virou arte nas mãos de Andy Warhol. Seu visual inspirou artistas como Madonna, Lady Gaga, Beyoncé e inúmeras outras celebridades ao longo das décadas, sua imagem continua sendo uma das mais reproduzidas da história da fotografia. E, curiosamente, quanto mais o tempo passa, mais o público parece querer conhecer a mulher que existia por trás da personagem.

Marilyn nunca quis ser lembrada apenas como um símbolo sexual. Ela queria ser reconhecida como artista.

O legado que completa 100 anos

Em uma época em que filtros, likes e algoritmos fazem parte da rotina, talvez Marilyn fosse uma das poucas celebridades do século passado que entenderia perfeitamente como é viver sendo observada o tempo inteiro.

Sua história continua emocionando justamente porque ela nunca foi apenas um rosto bonito ou uma estrela de Hollywood. Foi uma mulher que tentou encontrar seu lugar em um mundo que insistia em enxergar apenas sua aparência.

E talvez seja essa a razão pela qual, cem anos depois de seu nascimento, Marilyn Monroe continue sendo eterna.

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