Betty Blue: A obra-prima francesa que você precisa rever (ou descobrir) agora

Clássico francês retorna aos cinemas com versão do diretor para mostrar que o amor nem sempre é suficiente para curar.
Béatrice Dalle (Trouble Every Day) entrega uma atuação visceral e hipnotizante como a protagonista que transita entre a paixão e o abismo emocional. Crédito: Divulgação

O clássico francês “Betty Blue” retorna aos cinemas brasileiros em celebração aos seus quarenta anos de lançamento. Primeiramente, o filme marcou época e se tornou a maior referência mundial na categoria de drama erótico. Todavia, a nudez explícita da obra acaba ofuscada pela densa trama psicológica dos protagonistas. Assisti à versão estendida do diretor Jean-Jacques Beineix (Diva), com pouco mais de três horas de duração. Surpreendentemente, o tempo passou em um piscar de olhos devido ao roteiro extremamente envolvente. Certamente, o longa apresenta uma história perturbadora e profundamente humana.

Psicologia e Transtorno de Borderline em Betty Blue

De fato, o filme explora uma realidade dificilmente vista nas telas de cinema convencionais. Após pesquisas no pós-filme, compreendi que a protagonista sofre do Transtorno de Personalidade Borderline. Pesquisadores e críticos de cinema debatem amplamente essa condição na personagem há décadas. Ela demonstra instabilidade emocional severa e um medo paranoico de abandono durante toda a narrativa. Inegavelmente, o talento de Béatrice Dalle (Trouble Every Day) traz uma intensidade assustadora para o papel. O longa exige do espectador o exercício de compreender os atos sem julgamentos morais imediatos.

Além disso, o relacionamento entre Betty e Zorg revela as camadas mais sombrias da dependência afetiva. O protagonista, interpretado por Jean-Hugues Anglade (Rainha Margot), mergulha no caos mental da amada por puro altruísmo. De maneira geral, o filme é ótimo e oferece uma excelente opção para refletir sobre saúde mental. As atitudes mostradas em tela revelam o sofrimento real de quem convive com distúrbios psíquicos graves. Consequentemente, a obra se mantém atual mesmo quatro décadas após sua estreia original na França.

Portanto, o desfecho do filme se mostra arrebatador e divide opiniões até hoje. O roteiro conduz o público para um clímax onde tudo ocorre em nome do amor. Assim sendo, a versão restaurada permite apreciar a fotografia vibrante e a trilha sonora icônica. Logo depois da sessão, fica claro que a paixão pode ser tanto criativa quanto destrutiva. Eventualmente, novos espectadores descobrirão por que esta obra se tornou cultuada mundialmente. Em suma, o filme é um soco no estômago necessário para quem busca profundidade. Por fim, recomendo a experiência para todos que valorizam o cinema de arte. Veja a programação do cinema mais próximo e aproveite. Por conta da data comemorativa, no momento o filme não está disponível no streaming.

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