O Testamento de Ann Lee: Atuação de gala salva roteiro burocrático

Filme mergulha na história da fundadora dos Shakers com visual impecável, mas falta o impacto emocional de um grande épico.
Amanda Seyfried entrega atuação intensa em cena de ritual religioso no drama histórico. Crédito: Searchlight Pictures/Disney - Divulgação

O cinema recebe esta semana “O Testamento de Ann Lee“, trazendo Amanda Seyfried (Mamma Mia!) em uma performance poderosa e fisicamente exigente. Contudo, o filme entrega uma experiência informativa, mas longe de ser uma catarse cinematográfica completa. A obra foca na trajetória da líder religiosa Ann Lee no século XVIII.

A diretora Mona Fastvold (A Linha do Horizonte) aposta em uma estética granulada e tátil. Essa escolha visual transporta o espectador para a América colonial de forma muito eficiente. Por outro lado, o ritmo da narrativa pode parecer um pouco arrastado para alguns. O desenvolvimento foca excessivamente no sofrimento interno da protagonista.

O brilho de Amanda Seyfried em O Testamento de Ann Lee

O grande trunfo da produção é, sem dúvida, sua protagonista. Amanda Seyfried domina cada cena com uma mistura de dor e devoção absoluta. Ela brilha especialmente nas sequências de cultos religiosos, que envolvem danças e movimentos intensos. Essas cenas funcionam como momentos de pura libertação emocional para os personagens.

Apesar disso, o roteiro deixa algumas questões importantes apenas na superfície. Temas como sexualidade e tensões sociais da época aparecem rapidamente e logo somem. O filme foca tanto no íntimo de Ann que esquece o contexto histórico maior. Inclusive, a obra até flertou com listas pré-Oscar, mas acabou ficando de fora das indicações oficiais.

Talvez a falta de um estúdio gigante para sustentar a campanha tenha pesado contra. No fim das contas, o longa vale muito pelo conhecimento histórico apresentado. É uma parte da história religiosa que pouca gente conhece no Brasil. Mas fica o aviso: se você busca um drama arrebatador, vá com expectativas moderadas.

Em resumo, O Testamento de Ann Lee é um filme esteticamente belo e educativo. Ele cumpre o que promete, mas não chega a empolgar o grande público. Para quem gosta de boas atuações, o ingresso está mais do que garantido. O conhecimento adquirido compensa a falta de um ritmo mais ágil.

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