Por que o filme de Michael Jackson omite acusações de abuso sexual?

A cinebiografia de Michael Jackson enfrentou um grande obstáculo ainda durante a produção. Em 2024, o filme precisou passar por extensas refilmagens, após a equipe perceber um risco jurídico significativo envolvendo acusações de abuso sexual.



Os tramites legais e acusações sexuais
Inicialmente, o diretor Antoine Fuqua havia incluído no roteiro o caso de Jordan Chandler, que acusou o cantor por abuso sexual em 1993. Após o processo, Jackson firmou um acordo com a família Chandler em 1994 por cerca de 20 milhões de dólares. Apesar de Michael negar repetidamente as alegações de Chandler e, futuramente, as demais acusações, a equipe do cantor preferiu optar por um acordo para abafar o caso. Neste acordo, porém, existe uma cláusula que impede qualquer dramatização desses acontecimentos, o que obrigou a produção a reformular completamente a narrativa.
Em entrevista recente ao The New York Times, Larry Feldman, advogado de Chandler que negociou o acordo, afirmou que o acordo estipulava que “nenhuma das partes poderia divulgar ou comunicar o ocorrido, exceto no que diz respeito ao direito da família Chandler de falar com a polícia e depor sob juramento”.
Roteiro original da produção de Michael
O roteiro original colocava o caso como elemento central da história e retratava Michael Jackson como vítima de um esquema de extorsão orquestrado pelo pai de Chandler. Porém, o advogado afirma que o contrato prevê impedir justamente situações como essa.
A produção já possuia diversas cenas gravadas, como a investigação no rancho Neverland. Com a descoberta da cláusula legal, essas sequências tiveram que ser descartadas, impactando diretamente o desenvolvimento do filme. Diante desse cenário, o longa foi adiado e reestruturado. Como resultado, a versão final evita abordar acusações sexuais e encerra a história em 1988, antes das primeiras denúncias.
Um novo viés para o filme de Michael Jackson
Segundo o ator Colman Domingo, que interpreta Joe Jackson, o patriarca controlador e empresário da família, o foco então foi para a formação do artista. Ou seja, a proposta é apresentar um retrato mais íntimo e artístico, deixando de lado as controvérsias.
Por fim, apesar das críticas iniciais negativas, a expectativa de bilheteria segue alta. O filme estreia nesta quinta-feira (23) no Brasil, e aposta na força do legado musical de Michael Jackson para atrair o público.
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