Oscars, fofocas e provocações: a treta eterna entre Bette Davis e Joan Crawford

As duas foram gigantes do cinema clássico, vencedoras de prêmios, donas de personalidades fortes e protagonistas de uma disputa que atravessou décadas. Mas a pergunta que continua intrigando fãs até hoje é: essa rivalidade foi tão intensa quanto dizem ou parte dela foi alimentada pelos estúdios e pela imprensa?
Entre fatos, rumores e muitas farpas, a história de Bette Davis e Joan Crawford continua sendo uma das mais fascinantes do entretenimento.
Como tudo começou?
Não existe uma data exata para o início da rivalidade, mas muitos historiadores apontam os anos 1930 como o ponto de partida.
Na época, Joan Crawford já era uma estrela consolidada, enquanto Bette Davis ainda buscava seu espaço em Hollywood. Um dos episódios mais citados aconteceu em 1933, quando a divulgação de um filme importante para Davis acabou sendo ofuscada pelo anúncio do divórcio de Crawford, que dominou os jornais da época.
Foi um daqueles momentos que ajudaram a criar ressentimentos que nunca desapareceriam completamente.
O triângulo amoroso que virou combustível para a rivalidade
Se Hollywood adora um drama, esse capítulo parece ter saído diretamente de um roteiro.
Durante as gravações de “Dangerous” (1935), Bette Davis se apaixonou pelo ator Franchot Tone. O problema? Tone acabou se envolvendo com Joan Crawford e os dois se casaram pouco tempo depois. Anos mais tarde, Davis ainda demonstrava mágoa ao falar sobre o assunto.


Foi aí que a rivalidade deixou de ser apenas profissional e ganhou contornos pessoais.
O Oscar que ninguém esqueceu
Outro capítulo clássico aconteceu quando Crawford conquistou o papel principal de “Mildred Pierce”, personagem que inicialmente havia sido oferecida a Bette Davis.
O filme se tornou um enorme sucesso e rendeu a Joan Crawford seu único Oscar de Melhor Atriz. Para muitos fãs, esse foi um dos momentos que mais alimentou a competição entre as duas.

Quando as duas finalmente trabalharam juntas
Durante décadas, Hollywood sonhou em reunir as duas estrelas em um mesmo filme.
Isso só aconteceu em 1962, com o clássico de suspense psicológico “What Ever Happened to Baby Jane?” (O Que Terá Acontecido a Baby Jane?).
O longa virou um sucesso e deu nova vida às carreiras das duas atrizes. Mas os bastidores foram tão comentados quanto o próprio filme. Histórias sobre provocações, disputas de ego e desentendimentos se espalharam rapidamente pela imprensa.
Algumas dessas histórias são confirmadas. Outras permanecem no campo da lenda.
Fato ou rumor? As histórias mais famosas da rivalidade
Joan Crawford mandava flores para Bette Davis

Quando Crawford chegou à Warner Bros., teria tentado construir uma relação amigável enviando presentes e flores para a colega. Segundo relatos da época, tudo foi devolvido.
Veredito: considerado um dos episódios mais bem documentados da rivalidade.
Bette Davis odiava Joan por causa de Franchot Tone
A própria Davis comentou diversas vezes sobre a situação envolvendo o ator.
Veredito: fato amplamente aceito pelos biógrafos.
As duas se agrediram fisicamente no set de Baby Jane
Essa é uma das histórias mais populares.
Existem relatos de atritos durante as filmagens, mas muitos detalhes foram exagerados ao longo dos anos e misturados com lendas de bastidores.
Veredito: há registros de tensão, mas nem tudo aconteceu exatamente como a cultura pop costuma contar.
A rivalidade foi aumentada pela imprensa
Talvez essa seja a teoria mais interessante.
Muitos pesquisadores defendem que os estúdios e colunistas de Hollywood perceberam rapidamente que a rivalidade vendia jornais. Quanto mais manchetes surgiam, mais a disputa ganhava força.
Veredito: provavelmente verdadeiro.
O Oscar de 1963 e a vingança perfeita
Se existe um momento que simboliza essa disputa, foi a cerimônia do Oscar de 1963.
Bette Davis recebeu uma indicação por “Baby Jane”. Joan Crawford não.
Segundo relatos da época, Crawford entrou em contato com outras indicadas oferecendo-se para receber o prêmio caso elas não pudessem comparecer. Quando a vencedora foi anunciada e não estava presente, Crawford subiu ao palco para receber a estatueta em seu lugar.
A imagem correu o mundo e virou um dos capítulos mais famosos da história da rivalidade.
A série “Feud” reviveu essa história para uma nova geração
Em 2017, o produtor Ryan Murphy transformou essa rivalidade em série.
A primeira temporada de Feud: Bette and Joan trouxe Jessica Lange como Joan Crawford e Susan Sarandon como Bette Davis.
Além dos conflitos entre as duas estrelas, a produção também aborda algo ainda mais relevante: como Hollywood tratava atrizes mais velhas e como a indústria frequentemente colocava mulheres umas contra as outras para gerar manchetes e lucro.
A série virou sucesso justamente por mostrar que a história era muito maior do que uma simples briga entre celebridades.
No fim das contas, quem venceu?
Talvez ninguém.
Bette Davis ficou marcada como uma das atrizes mais talentosas da história do cinema. Joan Crawford se consolidou como um dos maiores ícones de Hollywood.
Mais de 50 anos depois, os filmes das duas continuam sendo assistidos, estudados e admirados. E a rivalidade que parecia apenas uma troca de farpas acabou se transformando em uma das histórias mais famosas da cultura pop.
Se existe uma vencedora nessa disputa, talvez seja a própria Hollywood, que transformou uma rivalidade real e às vezes exagerada em uma lenda que continua fascinando novas gerações.
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