Rock in Rio ainda é rock? Como o festival se transformou ao longo das décadas

Criado como um dos maiores eventos de rock do mundo, festival ampliou seu line-up e hoje reúne artistas de diferentes gêneros musicais.
Rock in Rio 2026
Rock in Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Queen, Iron Maiden, AC/DC, Scorpions, Ozzy Osbourne, Guns N’ Roses. Basta olhar para as primeiras edições do Rock in Rio para entender de onde veio a identidade do festival. Mas aí entram Beyoncé, Rihanna, Justin Timberlake, Katy Perry, Bruno Mars, Anitta, Ludmilla, e surge a pergunta que volta a aparecer sempre que uma nova edição é anunciada: o Rock in Rio ainda é um festival de rock?

A resposta não é tão simples. Desde sua primeira edição, em 1985, o evento passou por uma transformação gigantesca. O que nasceu como um festival dedicado principalmente ao rock se tornou uma das maiores marcas de entretenimento musical do mundo, reunindo artistas de diferentes estilos e gerações.

E talvez seja justamente essa transformação que explique a longevidade do Rock in Rio.

Momentos marcantes do Rock in Rio

Do Queen ao pop

Quando o primeiro Rock in Rio aconteceu, a proposta era bastante diferente da que conhecemos atualmente.

Realizado na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, o festival colocou no mesmo palco alguns dos maiores nomes do rock internacional e brasileiro. Queen, Iron Maiden, AC/DC, Scorpions, Whitesnake, Ozzy Osbourne, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho estavam entre as atrações daquele histórico evento.

Naquele momento, o nome fazia bastante sentido: era, de fato, um grande festival de rock. Só que o mundo da música mudou e o Rock in Rio mudou junto.

Com o passar das edições, o festival começou a ampliar seus horizontes. O pop ganhou cada vez mais espaço, assim como o hip-hop, o funk, a música eletrônica e outros gêneros.

E o público também mudou.

Hoje, uma pessoa pode comprar ingresso para o Rock in Rio para assistir a uma banda de rock, enquanto outra vai à Cidade do Rock para ver uma estrela do pop ou um dos grandes nomes da música urbana.

O Rock in Rio virou uma marca, não apenas um gênero

Talvez a maior mudança esteja justamente aí, o Rock in Rio deixou de representar apenas um gênero musical e passou a representar uma experiência.

O festival se tornou uma marca global, com edições no Brasil e também em outros países, e passou a apostar em uma programação capaz de atingir públicos muito diferentes.

Isso explica por que nomes como Beyoncé, Rihanna, Lady Gaga, Justin Timberlake, Katy Perry e Britney Spears já dividiram espaço com artistas ligados ao rock.

E não é necessariamente uma contradição. Grandes eventos musicais passaram a funcionar como grandes encontros culturais, com diferentes palcos, experiências, estilos e públicos convivendo no mesmo espaço.

Mas o rock desapareceu?

Não! E talvez essa seja a parte mais interessante da discussão.

Mesmo com o crescimento do pop, o rock continua presente na identidade do Rock in Rio. Grandes bandas e artistas do gênero seguem aparecendo nas escalações, enquanto nomes clássicos continuam sendo associados à história do festival.

O problema, para alguns fãs, está justamente na proporção.

A sensação de que “tem mais pop do que rock” não surgiu do nada. Quando artistas de enorme alcance comercial ocupam os principais horários e palcos, fica cada vez mais difícil enxergar o Rock in Rio como aquele festival exclusivamente roqueiro de 1985.

Mas será que ele precisa continuar sendo?

Rock in Rio ou Music in Rio?

Talvez trocar o nome resolvesse a discussão mas provavelmente acabaria com parte da história que tornou o festival tão reconhecível.

O nome Rock in Rio já virou uma marca muito maior do que o próprio gênero musical. Ele carrega décadas de shows históricos, encontros improváveis e momentos que fazem parte da cultura pop brasileira.

Hoje, dizer que vai ao Rock in Rio não significa necessariamente dizer que vai assistir a uma banda de rock, significa ir a um dos maiores festivais de música do país.

E talvez essa seja justamente a resposta para a pergunta inicial: o Rock in Rio ainda é rock? Sim. Mas não é rock há bastante tempo, e talvez seja justamente por ter entendido que música não precisa caber em uma única caixa que o festival conseguiu continuar relevante por tantas décadas.

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